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A mediação na recuperação de crédito.

A mediação na recuperação de crédito.

A mediação na recuperação de crédito.

Como já tratado em artigo anterior, a mediação é um dos métodos de resolução auto compositiva de conflitos, na qual as partes envolvidas, auxiliadas por um terceiro neutro e imparcial –   chamado mediador, trabalham para chegar a um acordo em que suas necessidades e possibilidades sejam  apresentadas e consideradas.

Diferentemente das soluções judiciais onde a sentença que, analisando materialmente o direito, determina um ganha-perde. A mediação traz como pressuposto a voluntariedade das partes e a análise de várias opções apresentadas por elas. A viabilidade das opções de solução para o caso em questão é verificada. No pós-acordo  apresenta alto grau de comprometimento dos mediados, aliados à efetividade do cumprimento dos acordos firmados.

A recuperação de crédito (cobrança de valores devidos) apresenta duas definições. Primeiro, é operação que tem por objetivo auxiliar o inadimplente a sanar suas dívidas e regularizar sua situação cadastral frente às empresas para poder novamente negociar com aquelas. E, do outro lado, para as empresas, significa receber o valor já  comprometido através da entrega de bens e serviços, cujo adquirente (cliente) não honrou o pagamento.

Neste artigo tratamos de pessoas físicas ou jurídicas que entregaram bens/serviços a terceiros e não receberam – total/ parcialmente – a contrapartida financeira pela venda ou serviço prestado.

Segundo dados da CNDL (Confederação Nacional de Diretores Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), o número de pessoas físicas negativadas no país alcança o montante de 59,4 milhões, sendo que na região Centro-Oeste, tem-se o total de 4,9 milhões, equivalendo a 43,03% de sua população.

Além disso, dados da pesquisa que mede o Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), se tomarmos como exemplo Cuiabá – MT, o número de inadimplentes alcançou em julho deste ano, aproximadamente 119 mil pessoas, equivalendo a mais de 61% das famílias cuiabanas. Sem contar que o número de dias para pagamento das dívidas aumentou de 66,7 dias no mês de junho, para 77,4, em julho.

Com esse quadro, o que se percebe também é que o número de empresas com contas em atraso segue crescendo no Brasil (dados SPC e CNDL) quando comparado o mesmo período de 2016 para este ano, com uma alta de 4,05% em empresas negativadas no país.

Como os empresários vêm tentando recuperar seu crédito?

Alguns setores empresariais adotam especificamente  cobranças,  através de seus próprios serviços, judicial ou por terceirizados.

Ações de cobrança judiciais resolvem a questão à primeira vista. O cliente inadimplente é executado nos termos da lei e com isso, ou quita o débito ou sofrerá as consequências jurídicas, tais como restrições comerciais, bloqueio de bens e contas bancárias, dentre outras possibilidades legalmente previstas.

O que se percebe no mercado em geral é que em grande número de casos de cobrança, sejam elas judiciais ou terceirizadas, as partes – empresa/cliente – perdem a confiança recíproca e deixam de se relacionar. O empresário perde futuros negócios com este cliente, e o cliente perde o fornecedor e ainda trabalha o marketing negativo da empresa. Ou seja, migra para o concorrente e fala mal da empresa anterior para um grande número de pessoas que poderiam ou já se relacionam com a em questão.

Entretanto, em nova tendência de mercado, inúmeros empresários perceberam que não adianta somente recuperar o valor monetário do cliente inadimplente. É necessário, para não dizer imprescindível, recuperar o cliente.

Em termos de marketing, um cliente fidelizado vale mais do que cinco no mercado. Isto significa que custa para empresa cinco vezes menos manter o seu cliente do que conquistar um novo. Nesse sentido, as empresas devem fazer o possível para manter os clientes de sua carteira. E, em se tratando de recuperação de crédito, a mediação faz este papel perfeitamente.

Na mediação, no momento do encontro empresa-cliente, a negociação dirigida possibilita a ambos trabalharem questões de valores e prazos, apresentando novas opções para quitação do montante devido; discutindo diferentes prazos e possibilidades. O cliente se sente mais amparado e respeitado. Há que se lembrar de que são inúmeras as razões que podem tê-lo levado à inadimplência e que grande número dos inadimplentes não aprecia a posição de devedor ou pior, caloteiro.

A mediação é procedimento colaborativo. O acordo é consensual. Não trabalha soluções já determinadas e sim construídas em comum acordo. O índice de cumprimento do acordado é superior a 90%*. E, com a vantagem de o cliente, neste caso, se manter fidelizado e ainda trabalhar o marketing positivo da empresa.

Quer melhor?

 

*Fonte: IBGE e Conselho Nacional de Justiça.

Texto de GIANA CECÍLIA DE CASTRO BENATTO FERREIRA, advogada colaborativa, mediadora de conflitos credenciada a MEDIA MT,  titulada pelo IMAB – Instituto de Mediação e Arbitragem do Brasil, pela CBMAEMT – Câmara Regional de Conciliação, Mediação e Arbitragem Empresarial de Mato Grosso, especialista em comércio exterior pela UFMT/IEL e MBA em Gestão de pessoas nas Organizações pela UNIC.

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